Manhã de sol
- Concha Editora
- 17 de mar. de 2021
- 1 min de leitura
Sol da manhã que invade a sala
Que toca de leve os móveis em frente à janela
Ilumina uma parte da estante de livros
Partículas de poeira voam na luz dourada
Silêncio na rua
O único barulho é o da máquina de lavar
Passarinhos ao longe
Férias
Água morna de mate
Livro
Cão
Solidão
Já tenho almoço pronto, constato
Excitação
A mesma da criança que brinca de esconder
Onde tu mora?
Rua 21, número 623, Cassino
Ah, desculpa, Eurico Bianchini, 623, Cassino
Sirvo um mate sentada na cadeira de praia
de lona preta
Como é boa essa cadeira
Estendo a rede, mas não deito
É só pra olhar pra ela
Sylvia Plath
Aos poucos vou relaxando e entro num estado de alheamento
Só eu e Eu
Olhos fechados agora
Fones de ouvido em silêncio
Sinto que estou preparada para a novidade
Tudo o que pensei, vivi, fiz e sou me preparou
para o que está por vir
Estou forte, sou forte
Estou viva
Sou eu
Sempre eu
Sozinha
E tudo bem

Grace Borges. Rio-grandina de presença e alma. Devoradora de palavras, arrisca alguns poemas quando lhe dói, uns contos quando com raiva e crônicas quando a cabeça está cheia. Formada em História Bacharelado e Licenciatura, promete que não é doida. Professora de escola pública. Possui praticamente uma única rede social, o Instagram, onde publica algumas fotos, suas leituras e seus textos desde 2016.
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